Nestes últimos tempos dei por mim a perguntar-me:
Hey... onde andas? Como ficáste assim? Amorfa, ostrizada, silênciosamente despida de ti?
E heis que me encontro numa qualquer frase escrita aqui do meu livro da vida, transformada em recordações. A jovem destemida. A jovem fortelecida. A mulher exigente. A mulher que ...
Depois veio este silêncio. Este deixar que a vida percorra a estrada da minha vida, por mim, que me limito tão só a segui-la. Já não respondo a provocações. Já nem incomodo com piadas sobre mim. Já...
Será a maturidade da idade que avança e me cobre, despindo-me de sentimentos desnecessários? Ou será apenas, cansaço de lutar constantemente sobre um mundo, que aos poucos me aprisionou?
Será que já nada preciso de provar, porque a mim própria já tudo provei? Ou será porque, estou imensamente cansada e já não desejo responder?
E afinal porque insistimos em nos magoar mutuamente, seja por silêncios, seja por meias palavras, ou por palavras inteiras? Seja por risos, ou sorrisos? Ou serão lágrimas? Não sei. O ser humano, tem esta imensidão de sentimentos. Passamos por tantas transformações. Absorvemos tantos valores. E depois mesclados no nosso ser, ficam emoções nem que sempre se vivem da melhor forma. E há o afastamento. Umas vezes por desinterese. Outras por mágoa, outras por inveja?! se é que este sentimento existe na realidade. Não me identifico muito com ele, e nas minhas amizades também não o sinto vivido. Por isso fiquemos talvez pela essência da vida. Afastamo-nos, porque sim. Porque vivemos vidas próprias com ritmos diferentes. Sentimos necessidades iguais em períodos distintos. E contudo, estamos sempre presentes quando precisamos e precisam de nós. Mas é isso a essencia da verdadeira amizade?
E eu? Onde estou eu? Os meus pedacinhos?
Hoje decidi fazer o resgate de mim. E apercebi-me que ao contrário do que acontecia anteriormente, dou comigo muito mais exigente em relação aos outros e aos seus sentimentos por mim. Apercebi-me que não tenho o dever só de dar, mas também o direito de receber. E acima de tudo, limito-me à minha sinceridade mais sincera. E falo. E exponho. E reclamo. E enfrento. Como outrora o fizera. Sim. Sempre fui directa e ferozmente verdadeira. Até demais. Hoje consigo, penso eu, conciliar estes dois mundos.
Queres de mim? Dá-me também. Não... não. Nada de confusões. Não falo no plano material. Mas no outro transcendente. Naquele carinho sincero. Naquele gesto amigo.
Eu estou aqui. Nem sempre estive aí. Mas hoje... HOJE estou aqui. Para quem me quiser ouvir, para quem me quiser falar. Mas nunca para quem me quiser magoar.
Enfretamos as lides com respeito. Sejamos sinceros. Para quê usar palavras falsas, quando o quotidiano a nós nos mostra a verdadeira essencia de nós?
Mentir? Provocar? Aldrabar??
Para quê? Qual a necessidade de...??
Ontem fui para a Escola Superior a fazer um trabalho em grupo. Inevitavelmente, extrapolámos para outros assuntos. O que fazer quando nos desejam mal? Costuma-se dizer que não acreditamos nelas, mas que las há, las há. Eu dizia... "disparate... quem é que tem interesse em nos desejar mal?"
"Tantas pessoas, diziam elas. " no gozo comigo. :)
"Acham?? Mas isso está resolvido. Quem nos deseja mal, também não deve ter muito interesse, porque depois tudo isso se inverte."
"Como assim?"
"Então segundo esta lógica, desejam-nos mal. A vida começa-nos a correr mal e pronto. Mas quando se deseja mal é porque estamos com sentimentos negativos não é verdade? Então... essa carga negativa também envolve a pessoa que a sente... Por isso a meu ver não tem lógica. Inveja, e desejar mal..."
"Pois, mas..." E lá continuaram...
"Olha sabem que mais, têm que ler aquele livro "O segredo". Eu já o li. E aprendi que ninguém deve desejar mal, ou qualquer outra coisa... mas para compreenderem melhor, leiam o livro :)"
E lá foram as colegas com essa na manga.
Agora sinceramente: desejar mal? inveja?? Não sinto isso nos outros em relação a mim. Nem eu em relação aos outros. Temos por vezes momentos de fraqueza em que eventualmente isso até pode passar nos nossos pensamentos. Mas como já aprendi, recupero depressa a minha forma de estar: quero ser feliz e vou ser feliz. Desejo tudo de bom para mim e para todos os que me rodeiam. Por isso escrevo o que vivo, vivo o que escrevo. Falo o que sinto, sinto o que falo. As minhas palavras a mim pertencem. A minha vida, sou eu que a vivo. As minhas mentiras serei eu que as sinto. Por isso me pergunto, vale a pena mentir? NÃO.
Sinto-me liberta finalmente, porque de mim me livrei. Sinto que posso voar e alcançar o sol, ou apenas o seu raio.
Hoje estou aqui. Sim aqui. Fazendo, alcançando e resgantando-me mim.
