Sim. E vou falar sem falsas pretensões. Grito aqui abertamente. Porque gritar me apetece. Ontem aconteceu-me mais um daqueles episódios caricatos, que de vez enquando me acontecem. A propósito de eu frequentar as aulas, da forma como posso, acho que isso anda a incomodar algumas colegas na minha dita turma.
"Mas se já tem dois anos e meio, já devia estar mais liberta de ti."
Às vezes assusta-me este nivelamente social onde todos temos que estar parâmetrizados, de acordo com regras inventadas nesta idade pós moderna. Digo pós moderna, porque depois de muito se querer libertar e se tornar independente, algumas mulheres não compreendem que condicionam a liberdade de outras, que sendo diferentes dela, não são obrigadas a viver a vida, de acordo com os seus padrões. Mas continuando.
"Pois, " respondia eu "mas é complicado, eu bem tento incentivar a esse distâncimente, mas está complicado."
"Ai mas não pode ser."
É aí que eu observo a colega e penso cá para. "Ok, fiquei sem perceber. Não pode ser o quê?"
É então, que num à vontade, que nunca lhe concedi, que responde ao que não perguntei:
"Se a mãe tivesse estudado no momento certo, estaria tudo resolvido."
Olhei para aquele ser, que lançando julgamentos de mim, sequer me conhecia. Confesso que tive vontade de lhe responder mal. Mas apenas comentei.
"Acredita que indirectamente, foi por ela que não estudei antes."
Breve historial:
Casei aos 20. Dois meses depois tentava engravidar. Tentei a U. mas por conselho médico desisti. Depois foi aquela alavange de situações que tanto já se conhece.
Forte e lutadora - diz quem me conhece.
Preguisosa e desalentada - quem não me conhece.
E afinal que digo eu? Sim que digo eu de mim própria? Digo que num dia conheço o mundo, no outro nem sei o que sei.
Mas preguisosa? Eu que estou inserida em 3 turmas diferentes, para conseguir frequentar as aulas?
A Mel está muito dependente de mim? Sim fica comigo de Sábado a terça, no resto dos dias com a avó. Se estou em casa à necessidade de pagar 350 € de infantário? Nem sequer se põe a hipótese de estes fazerem actividades, para crianças em situações como as da Mel!!
Foribunda por dentro e calma por fora, respondi-lhe:
"Estive 14 anos a tentar tê-la."
A colega com ar muito conhecedor do caso, respondeu:
"Já ouvi falar em gravidezes de ano. Mas 14 anos??"
Bem foi aí que me calei e ri-me por dentro da ironia da situação.
Sim tinha tendo integrar-me no grupo dela. Sim tinha tentado dar-me com ela. Eu era a única que vinha de fora, e por isso era que eu que tentava integrar-me. Acesso negado. E essa nega em nada tinha alterado a minha vida. Eu continuo a ir às aulas, continuo a frequentar o curso e até já tenho um grupo, com o qual me identifico bastante. O delas sofreu uma baixa de duas colegas de quem elas não gostaram, o meu continua com as 4 iniciais. Quem perdeu, com o quê?? Eu, definitivamente não.
E mais ainda. Por um acaso ela confidênciou algum detalhe da vida dela? Nada, niente...
Então, porque motivo, seria eu a expôr-me aos elementos da turma que acompanhavam a nossa conversa? Misera conversa por sinal. Rotulada e oprimida.
Eu vivo um momento diferente. Portanto nada de me tentar impôr situações, detesto isso. Se às quartas levo com 9.30 de aulas seguidas com míseres 15 minutos para as refeições, é com elas que choro??
Não.
Portanto, nada mais havia a dizer. Ficámos amigas. Conhecidas. Enfim colegas. Ou que o quer que seja. Ela na dela e eu na minha.
Afinal ainda temos que nos encontrar mais vezes. Somos colegas sim Sra.
Capacidade de integração de outros elementos na turma? Zero.
Competitividade? 100%. Mas não estou interessada nisso.
Queria isso sim ajuda numa coisa.
Tensão mamária. Alguém sabe, como enfrentar e minorar os efeitos disto nos quinze dias que antecedem o dito??
Bjs
quinta-feira, 8 de maio de 2008
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