Lembram-se deste meu post?
http://falandodemimaqui.blogspot.com/2008/11/resgate-de-mim.html
Na altura referia-me à minha família, que acusando-me de me afastar deles, também eles na realidade se afastaram de mim. Por isso me sentia assim. Irritada. Porque nunca ousei em dizer nada. Porque ouvia o que me queriam dizer e eu nada dizia. Até aquele momento, em que fartinha, fartinha os encarei e disse tudo o que tinha que dizer. Depois ficaram eles a pensar no que lhes disse. E voilá. As coisas compuseram-se. O meu relacionamento com a minha mãe, sempre foi complicado. Até aquele momento. Tinha tanto desejado ter uma mãe presente, que mostrasse algum afecto. Que fizesse algo por mim, mas algo assim mesmo, que eu visse que estava a fazer porque gostava de mim. E ela já o fez. Assim como a minha irmã, cunhado e sobrinho. E é bom estarmos todos a bem. Mais uma ponta do fio atada.
Às vezes é bom darmos um murro na mesa.
Acontece que agora tenho ido dormir a casa da minha mãe mais vezes. Sinto-me menos sozinha e a Mel também. Além de que é uma grande ajuda em época de exames.
Estou engripada desde segunda. E que gripe. FONIX. Quero ser saudável (como a Mel diz...).
Um dia destes fomos à praia eu e a Mel. E ela andava a apanhar tesouros (conchas). E acreditava de tal forma naquilo, que os seus olhinhos pareciam duas pequenas estrelinhas. Quão feliz foi aquele momento. Quero viver tantos os que a vida me der, e sentir o que senti naquele momento. O meu maior tesouro era aquele momento único, tão meu.
Estas coisas de relacionamento de mãe e filha tem muito que se lhe diga. Penso também que a morte da minha tia, nos trouxe qualquer coisa ao de cimo, que nos fez pensar e repensar. E depois para ajudar, veio esta minha hospitalização que nos fez pensar ainda mais. Por isso acredito que a conjugação destes factores todos, nos trouxe algo de muito mais forte. Mais intenso. Algo que nem sei explicar. 39 anos depois... oiço isto!!!!!!!!! (shiuuuuuuu, vou contar como tudo se passou...)
A minha mãe adora dizer: "Enerva-te não é? Agora já vês o que eu sofri contigo".
Ok. Ok.... É desgastante sim senhora e depois? É a minha filha.
"Só era diferente numa coisa?"
Qual - pergunto eu.
"Eu não era assim tão carinhosa como tu és para ela."
E foi aqui que o meu coração deu um salto. A minha mãe reconheceu que não era muito carinhosa?? E como isso foi importante para mim. Por dois motivos.
1º Porque sempre senti falta do carinho dela.
2º Porque sei que estou a dar carinho à Mel. (sempre soube né?, mas agora parecia que a minha mãe também tinha sentido a falta desse carinho e que até o queria).
"Sabes, gosto muito quando a Mel me vem dar beijinhos e me diz: avozinha és muito quida. Faz-nos sentir tão bem."
Ai faz faz... E eu sempre tive isso com ela e ela comigo.
Digam lá não é maravilhoso?
